A dois dias do adeus, brasileiros comentam legado de Vitor Belfort

Antes de última luta da carreira do Fenômeno, atletas falam sobre sua posição na história do MMA, o legado deixado e – alguns – sobre os casos de doping

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Vitor Belfort faz neste domingo a sua última luta da carreira. Neste domingo, ele enfrenta Uriah Hall no UFC St. Louis e já anunciou que será sua aparição final no octógono do Ultimate. Campeão do torneio dos pesados no UFC 12, em 1997, detentor do cinturão dos meio-pesados em 2004, desafiante ao cinturão dos médios e recordista de nocautes da organização. O Fenômeno tem uma história digna de aplausos como lutador, mas também já se envolveu em polêmicas por doping em duas oportunidades.

Em 2006, no Pride 32, foi flagrado com a substância 4-hidroxitestosterona e levou nove meses de suspensão pela Comissão Atlética de Nevada (NAC), mas não cumpriu, já que foi lutar na Inglaterra, no Cage Rage, seis meses depois. Em 2014, Belfort foi pego com níveis de testosterona elevados quando, na época, fazia Terapia de Reposição de Testosterona (TRT), então permitida pela NAC. Após o episódio, a entidade baniu o uso de TRT.

2Vitor Belfort fará sua última luta na carreira contra Uriah Hall, neste domingo (Foto: infoesporte)

Combate.com foi atrás de lutadores brasileiros para fazer três perguntas: qual a posição de Vitor Belfort na história do MMA? Qual o legado que ele deixa? Os casos de doping mancham sua história?

Muitos recusaram responder, outros aceitaram responder em parte. Confira as declarações de Rodrigo Minotauro, Junior Cigano, Jéssica Bate-Estaca, Edson Barboza, Rafael dos Anjos e Gilbert Durinho.

COMBATE.COM: Qual a posição de Vitor Belfort na história do MMA?

Rodrigo Minotauro: – Ele tem um ótimo lugar na história do MMA por passar pelas duas fases do UFC: a mais antiga e a moderna. Lutou outros grandes eventos, foi para o Japão, Inglaterra e outros países. Com certeza o MMA mundial viu muito da história do Vitor.

Junior Cigano: – Acho que o lugar que o Vitor Belfort ocupa na história do MMA é o lugar do Vitor Belfort, um lugar único. Cada atleta conquista seu próprio lugar. Ele construiu sua história no esporte, uma história rica, cheia de desafios, cheia de vitórias, desde os 19 anos o cara luta. Lutava no UFC na época que existiam ainda os torneios no UFC, no UFC 12 se sagrou campeão com 19 anos no evento dos pesados, então a história do Vitor Belfort sem sombra de dúvidas é rica, cheia de grandes desafios, grandes aprendizados e o que fica é isso. Cada um conquista a própria história, e a história que o Vitor pôde constuir é muito bonita e, para nós, amantes do MMA, serve também como inspiração, como um exemplo a ser seguido.

Jéssica Bate-Estaca: – Para mim, o Vitor foi a chave principal de tudo. O cara com 19 anos se tornou campeão do UFC, foi um dos mais novos alunos do Carlson (Gracie) a pegar a faixa-preta de jiu-jítsu, então o lugar dele não tem como não ser o primeiro. É exemplo de lutador, de guerreiro, ele faz muita parte de tudo isso que o UFC é hoje. Foi graças ao Vitor, a essa visão que ele levava para o mundo do lutador, de ser brasileiro, para mim o lugar dele é o primeiro, fez história, não tem como negar, merece respeito e sempre será respeitado por todos os brasileiros que sempre assistiram luta. Ele é um dos caras do UFC, o número 1 para mim.

Edson Barboza: – O Vitor, como lutador, é uma lenda pelo que ele fez no octógono e pelo MMA. Ele foi um dos caras a levar o MMA para fora do meio. Minha mãe conheceu o MMA por causa do Vitor, ele deixou mais popular. Foi um lutador muito importante representando o Brasil, mas foi um dos que mais levaram o nome do MMA a pessoas que não conheciam o esporte.

Rafael dos Anjos: – O balanço geral que posso fazer do Vitor é que tem mais de 20 anos de carreira, eu tenho 13 anos e é difícil me imaginar mais sete anos lutando. O Vitor é um ex-campeão do UFC, está indo para a última luta, mais de 20 anos de carreira, é um cara que foi campeão, esperamos que encerre com vitória. Ele teve uns contratempos, vem de derrota, mas esperamos que ele encerre essa longa carreira, vitoriosa, com mais uma vitória para fechar com chave de ouro.

Gilbert Durinho: – Acho que ele já está no Hall da Fama. Um cara ex-campeão, foi campeão do primeiro torneio do UFC, depois campeão do meio-pesado, disputou cinturão de duas categorias depois disso, contra Anderson e Jon Jones, vários nocautes no UFC, não tem mais nada para provar. É um cara que já está até passando do tempo, mas todo mundo respeita e, após esta última luta, ele tem que entrar no Hall da Fama.

Qual o legado que ele deixa?

Rodrigo Minotauro: – Legado de um lutador que passou por várias fases do esporte e sempre foi competitivo. Sempre disputando os maiores títulos com os maiores lutadores e se desafiando como profissional. Ele deixa o legado de um super atleta.

Junior Cigano: – O legado que o Vitor Belfort deixa para o MMA é um legado rico, que se define em se reinventar. Independente das dificuldades, dos momentos negativos ou positivos, sempre se reinventou e continuou em frente. Construiu uma história muito rica dentro deste esporte, cheia de desafios, grandes vitórias e grandes lições para todos nós. Então, sem sombra de dúvidas, ele conquistou um espaço muito importante no coração dos fãs de MMA e trouxe grandes alegrias para eles, que acompanharam e ainda acompanham o Vitor Belfort.

Jéssica Bate-Estaca: – O legado que deixa é de muita garra, determinação, muita vontade. O exemplo de lutador que ele foi e é, até hoje é ícone no esporte, o legado dele foi de coragem, desbravar o mundo do MMA quando ninguém se importava muito, ninguém sabia o que era.

Edson Barboza: – O legado é para todos nós, que continuaremos lutando. Ele foi um dos primeiros a entender que a gente é uma marca, que temos de fazer marketing pessoal. Ele foi um dos primeiros a fazer isso. Ele deixa um legado grande, sem dúvida.

Rafael dos Anjos: Não quis responder.

Gilbert Durinho: – O legado mais importante que ele deixa é que você tem que estar sempre se renovando. No começo era um cara do jiu-jítsu com a mão pesada, no fim da carreira, quando acharam que já tinha dado, ele voltou nocauteando com chute, chute rodado… O legado principal que ele deixa é que sempre tem um jeito de evoluir, de melhorar. Não importa quantas vezes você caia, você pode se levantar.

Os casos de doping mancham a história do Vitor?

Rodrigo Minotauro: Não quis responder.

Junior Cigano: Não quis responder.

Jéssica Bate-Estaca: – Na minha opinião não mancha o legado dele porque todo atleta está sujeito a passar por isso e ser pego pelo doping. Temos que pensar no legado das vitórias, os caras que ele enfrentou e ninguém queria, acho que trouxe mais alegrias que tristezas. Não se apaga por causa do doping. Temos grandes ídolos do MMA que foram pegos no doping também, como Anderson e Minotouro, são coisas que todo atleta está fadado a acontecer. Para mim continua sendo o mesmo cara guerreiro, lutador incrível que foi, que enfrentava qualquer um, não tinha medo de altura e nem de tamanho, para mim não influenciou em nada isso aí.

Edson Barboza: – Sou um cara que acha doping uma coisa muito séria e muito errada. Sou atleta de alto rendimento, sei que há pessoas que fazem isso. Sem dúvida, mancha a carreira de um atleta, no meu ponto de vista. Sou contra pessoas que querem levar vantagem sobre a outra. Fica essa coisa feia, essa manchinha, tanto para ele, quanto para todos que já caíram.

Rafael dos Anjos: Não quis responder.

Gilbert Durinho: – Acho que não. Quando ele foi pego, parou com isso. Quando proibiram o TRT, ele continou lutando. Usou TRT quando era liberado, depois teve um tempo de adaptação e seguiu lutando. Não mancha, todos viram a diferença do corpo dele, como era e como ficou, e ele continuou lutando.

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